Quando e porque se torna alcoólatra?

Quando e porque se torna Alcoólatra? Ao longo da história diferentes explicações foram dadas para o fato de uma  pessoa ser dependente de álcool.

Por muito tempo se julgou que beber em excesso era um problema moral, fruto dafalta de autocontrole do indivíduo em relação ao seu impulso. De acordo com esta perspectiva, um alcoólatra era alguém sem “fibra moral” para resistir à tentação.

Estudos mais recentes apontavam que o alcoolismo era uma doença genética, hereditária e crônica, determinada biologicamente.

O indivíduo já nasceria com a “doença” e a única maneira de evitar o seu desenvolvimento seria a abstinência total, durante toda a vida.

Existem hoje pesquisas que descrevem determinantes dos comportamentos aditivos (como a dependência de álcool) nos quais se incluem os fatores ambientais, crenças, expectativas, história familiar e individual.
Segundo esta perspectiva, estes hábitos são aprendidos e se baseiam na obtenção de prazer e na redução de tensão ou ansiedade.

Hoje, com a aprendizagem dessas diferentes teorias, pode-se dizer que ninguém nasce dependente de uma droga.

A pessoa desenvolve uma relação com a droga que evolui para a dependência.

Não existe um único fator que determine, de forma definitiva, que pessoas ficarão dependentes do álcool, mas uma combinação de fatores contribui para que alguém tenha maiores chances de desenvolver problemas com relação ao álcool.

Entre esses fatores, podem-se contar os efeitos que a bebida causa fisicamente na pessoa e que não são idênticos para todos.

Um exemplo disto é a ressaca depois da ingestão de álcool.

Como esta substância deprime o sistema nervoso central, deixando a pessoa mais relaxada, é possível, por exemplo, que após passar o seu efeito, o organismo sinta falta do álcool e ela volte a beber, para voltar a “se sentir bem”.

São fatores de natureza biológica.

Os fatores psicológicos associados ao desenvolvimento do alcoolismo podem incluir características de personalidade, como a tendência à ansiedade, insegurança, medo ou angústia, para os quais o indivíduo busca alívio por meio da bebida.

Há pessoas mais frágeis para enfrentar adversidades e problemas e podem, diante deles, desenvolver padrões inadequados de consumo de álcool.

Existem também os fatores ambientais que interferem nos padrões de consumo de álcool, entre os quais os hábitos familiares, a cultura da sociedade, estimulando ou restringindo o consumo, os rituais e costumes da comunidade, a oferta de bebidas, a informação, a propaganda e outras várias influências no desenvolvimento das relações da pessoa com a bebida.

Enfim, é a interação desses fatores, biológicos, psicológicos e sociais, bem como as decisões e comportamentos do indivíduo, que podem determinar o processo no qual a pessoa ficaria, gradualmente, ao longo dos anos, dependente do álcool.

Nem sempre é fácil identificar a diferença entre uma pessoa que é dependente da bebida (alcoólatra) e aquela que bebe em excesso ou que apresenta problemas relacionados com o seu consumo, sem se configurar como um caso de dependência.

O álcool é extremamente inadequado como calmante, ou como estratégia para enfrentar problemas, pois embora produza um efeito mais imediato de euforia, esta é seguida de depressão do sistema nervoso, deixando o indivíduo mais desconfortável e ansioso.

Além disso, o uso abusivo de álcool muitas vezes é causador de acidentes, intoxicações, nervosismo, e outros problemas físicos, psicológicos e sociais. Existem sinais que demonstram quando, além de estabelecer uma relação arriscada com a bebida, a pessoa está evoluindo para a dependência.

Eis alguns deles:

1. Aumento da quantidade de bebida e da freqüência do beber (vários dias por semana, mais de uma vez por dia);

2. Dificuldade de controlar o consumo da bebida, compulsão por beber e dificuldade de estabelecer limites de término do consumo;

3. Abandono de outros interesses ou prazeres em favor do uso da bebida;

  1. Aumento da tolerância ao álcool (aumento da dose de bebida para obter o mesmo efeito);

    5. Persistência no uso do álcool a despeito da evidência clara das conseqüências nocivas deste hábito;

    6. Apresentação da síndrome de abstinência (cujos sintomas mais comuns são ansiedade, insônia, irritabilidade, tremores, náusea, vômitos, cefaléia, pesadelos, alucinações) Estes fenômenos representam sinais da síndrome de abstinência quando são aliviados com a bebida.

    Quando a pessoa apresenta mais de um destes seis sintomas enunciados, é bastante provável que esteja tornando-se um dependente do álcool.